Poeta Neto Ferreira lança seu novo livro na Festa de Louro em São José do Egito-PE

Por Marcello Patriota

Poeta Neto Ferreira lança seu novo livro na Festa de Louro em São José do Egito-PE, a nova pesquisa do caririzeiro é intitulada “Leonardo Bastião: Doutor em Poesia Popular”. Os desdobramentos da pesquisa evidenciam a poética de Leonardo Bastião e as razões pelas quais o poeta ainda não foi reconhecido enquanto patrimônio vivo do seu estado, o lançamento do livro ocorre no próximo, dia 6, às 14h, na Bodega Job Patriota, na rua Domingos Siqueira, no miolo de São José do Egito.

Leonardo Bastião, despossuído de letramento, nisso se diferenciando de Rogaciano Leite, é o que chamo poeta com alma, porquanto se sensibiliza com a realidade dos seus iguais, homens e mulheres nordestinos sertanejos, alvos tanto da rigorosidade climática quanto da politicalha oportunista. Leonardo Bastião, vivenciador de agruras, quando de sua mocidade, identifica-se com os seus irmãos catingueiros, traz para si a responsabilidade de denunciar, através do seus versos a desigualdade social, como faz nesta décima:”

“Vi um mininu chorando
Debaixo dum pontião
Fui saber qual a razão
Tinha uma famia morando
Uma criança mamando
Sem achar leite no peito
Inda tinha o preconceito
Morar debaixo da ponte
Eu só vi o que vi onte
Porque num posso dar jeito”

A sensibilidade de Leonardo Bastião foi pressentida pelo poeta Neto Ferreira, que o verifica reproduzido por amantes da poesia popular, grupo no qual me incluo. Neto Ferreira, sertanejo que é, lá da paraibana Livramento, nos Cariris Velhos, em sua caminhada acadêmica filosófica estudou a poética de Leonardo
Bastião. Pelo prisma gramsciano, enxergou-o intelectual orgânico, porquanto coloca sua poesia a serviço de sua gente, identificando-se com as agruras dela e denunciando o descaso governamental, bem como o percebeu encaixado na teoria de memória thompsoniana, uma vez que Leonardo Bastião, com suas

memórias poematizadas, traz à luz a memória de muitos e, dessa forma, possibilita a evidência dos fatos vivenciados pela coletividade, como é possível ser verificado nesta quadra, onde se vê a inexistência do gozo dos direitos que são intrínsecos à criança, traço marcante em muitos nordestinos sertanejos:

“Minha carta de ABC
Foi um bisaco de mão
Catando baije de feijão
Pra cunzinhá e cumê”

O poeta Neto Ferreira, iluminado estava quando, além de perceber a grandeza poética de Leonardo Bastião, tomou para si a bandeira de luta pela conquista da inserção de Bastião no rol dos mestres registrados como patrimônio vivo do estado de Pernambuco, o que lhe promoverá reconhecimento oficial, uma vez que Bastião já goza da patrimonialização populacional, visto que, como bem lembra Neto Ferreira, no texto que aqui nos presenteia: “sua produção é pautada pela oralidade, e a aglutinação de seus versos se dá através dos amantes da cultura popular, que os memorizam, gravam vídeos do trovador e disseminam pelas mídias sociais.

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