Carnaíba-PE: Enquanto as atenções do poder público se voltam para outras pautas, a realidade no campo da agricultura de Carnaíba e de várias cidades do Vale do Pajeú é cada vez mais dura e preocupante.
A estiagem prolongada, somada às poucas, fracas e rápidas chuvas registradas nos últimos meses, já provocou perdas significativas nas lavouras de milho e feijão, base da subsistência de centenas de famílias agricultoras da região.
Em comunidades rurais, o cenário é de apreensão. Agricultores relatam plantações totalmente comprometidas, sementes perdidas e a incerteza de como manter o sustento nos próximos meses.
Já entre os criadores de gado, a situação é igualmente crítica: sem pasto e com reservatórios cada vez mais baixos, muitos estão sendo obrigados a vender seus animais por preços bem abaixo do mercado, acumulando prejuízos e vendo anos de trabalho se perderem em pouco tempo.
O que mais revolta moradores e produtores é a sensação de abandono. Até agora, não há ações efetivas anunciadas para minimizar os impactos da seca, seja com apoio emergencial, políticas de convivência com o semiárido ou programas de abastecimento hídrico para as comunidades mais afetadas. A seca, mais uma vez, parece estar sendo ignorada pelas autoridades, enquanto o sofrimento do agricultor cresce a cada dia.
Especialistas e agricultores já alertam: 2026 pode entrar para a história como um dos anos mais severos de estiagem no Nordeste brasileiro, atingindo em cheio municípios como Carnaíba e toda a região do Pajeú. Sem medidas urgentes, o risco é de um colapso na produção agrícola, no rebanho e na segurança alimentar de milhares de famílias.
Diante desse cenário alarmante, a população cobra respostas, ações concretas e políticas públicas que cheguem de fato a quem mais precisa. O sertão resiste, mas não pode continuar sendo esquecido.

