Mães atípicas vão às ruas de Serra Talhada e cobram Casa Azul para reduzir fila de espera e ampliar terapias

Dezenas de mães atípicas voltaram às ruas de Serra Talhada nesta quarta-feira (16) para cobrar a ampliação das políticas públicas destinadas às pessoas com deficiência e, principalmente, a implantação da chamada Casa Azul no município.

A mobilização aconteceu após a terceira edição do Café Atípico, iniciativa idealizada pela advogada Malena Lopes e voltada ao acolhimento, à informação e à troca de experiências entre mães atípicas.

Com cartazes e palavras de ordem, as participantes seguiram em caminhada por um trecho do comércio de Serra Talhada e encerraram a manifestação em frente à Prefeitura Municipal.

Durante o ato, um dos principais pedidos foi pela criação de uma estrutura especializada que possa contribuir para diminuir a fila de espera por atendimento e garantir acesso a terapias para crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA).

“Hoje reivindicamos a Casa Azul aqui em Serra Talhada, para que a fila seja diminuída, né, de espera para as crianças com TEA. Que assim nossas crianças tenham o direito de conseguir seus tratamentos e que eles consigam evoluir”, relatou uma das participantes.

Em meio à manifestação, as mães entoaram palavras de ordem: “Queremos a Casa Azul! Queremos a Casa Azul!”

Outra participante destacou que a reivindicação ultrapassa as necessidades de uma única família e defendeu que uma eventual estrutura especializada tenha capacidade de atender também moradores de municípios da região.

“Estamos aqui numa luta não só pelo meu filho, nem pelo meu neto, que sou mãe e avó de uma criança autista. A Casa Azul é um espaço especializado para o tratamento das crianças autistas, não só de Serra Talhada como de municípios ao redor”, afirmou.

A demanda também envolve a qualidade e a regularidade das terapias oferecidas às crianças.

“Hoje reivindicamos a Casa Azul porque queremos terapia para os nossos filhos de qualidade, que eles necessitam muito. Não só para os nossos filhos daqui, mas como para os filhos de outras cidades que necessitam muito e estão nas filas de espera há muito tempo”, declarou outra mãe durante o ato.

A mobilização ganhou força depois que Malena Lopes abordou o tema em entrevista ao ElesPod, publicada pelo Portal Júnior Campos na terça-feira (15).

Na entrevista, a advogada defendeu a implantação da Casa Azul e relatou dificuldades enfrentadas por famílias na busca por atendimento especializado.

“Já passou do tempo de Serra Talhada ter uma Casa Azul”, afirmou Malena.

A proposta apresentada pelas mães está relacionada não apenas à criação de um espaço físico, mas à ampliação da rede de atendimento, com acesso a profissionais especializados, terapias e maior integração entre os serviços destinados às pessoas com deficiência.

A manifestação desta quarta-feira ocorre após uma série de cobranças feitas por mães atípicas e familiares em Serra Talhada.

Nos últimos meses, famílias também relataram dificuldades envolvendo o acesso a fórmulas nutricionais especiais utilizadas por crianças que dependem desses produtos. Os casos provocaram manifestações, cobranças na Câmara Municipal e busca por providências junto ao Ministério Público.

Em julho, uma mãe esteve na porta do Ministério Público acompanhada de outras famílias para relatar problemas relacionados aos atrasos e à quantidade de fórmulas disponibilizadas para os filhos.

A situação também chegou ao Legislativo Municipal, onde vereadores cobraram explicações sobre o atendimento às famílias.

Agora, a pauta voltou às ruas e ganhou um novo elemento de mobilização: a defesa da Casa Azul como espaço especializado para atendimento de crianças e adolescentes com TEA e outras necessidades específicas.

Junior Campos

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