Fato Histórico: A inauguração da energia elétrica em Carnaíba em 1966

Uma foto histórica de Carnaíba, chegou como um presente à Redação do Blog do Cauê Rodrigues, o blog é popularmente conhecido pela ligação com a cultura e história da terra de Zé Dantas.

A foto relíquia registra o ato de inauguração da iluminação pública de Carnaíba, vinda do Complexo Hidrelétrico de Paulo Afonso-BA.

Primeiro, Carnaíba, ainda quando pertencia ao município de Flores, no ano de 1922,  teve no Governo de Saturnino Bezerra, a instalação da primeira iluminação pública a gás (de querosene);  eram 12 lampiõezinhos de flandres trapezifornes, com vidros laterais de proteção, dependurados em postes de madeira fincados, em alinhamento, pelo centro da rua.

 Já no governo de José de Souza Dantas, na sua primeira gestão, não existindo mais antiga iluminação a gás, de luz fraca e amarelada, adotou a iluminação pública a álcool,  de luz forte e clara; eram 10 postes de madeira, alternados a igual distância de um lado a outro dos cordões da rua, desde a igreja ao cemitério;  cada porte com lampião de camisa, tipo Aladim, cuja luz equivalia a uma lâmpada elétrica de 250 velas; a parte superior de cada lampião era protegida da chuva por grande campanula de zinco, construída pelo habilidoso artista Joaquim Borrego; os lampiões carregados duravam três noites,  no intervalo das 18 às 21 horas chamando-se Chiquinho Queiroz o encarregado de alimentar, acender e apagar.

 Na segunda gestão,  implantou a luz elétrica; comprou um motor a gás pobre de 250 HP (em flores escamotearam o gerador novo, vindo para Carnaíba, pelo velho lá existente e que não prestava mais, sendo preciso comprar outro novo);  construiu a casa do motor, à margem do Rio Pajeú, já no fim da rua da Boa Vista, pelo lado de trás, o motor consumia 250 latas (das de gás ou querosene) por hora, ou sejam 5.000 Litros, para o que foi aberto no rio uma cacimba e, por um cano de 3 polegadas, a água puxada retornava cacimba;  foi duplicada a posteação de madeira, distendida por outros pontos e comprados fios e acessórios para instalação; na semana que ia ser ligado à luz por experiência, veio o Estado Novo, em 10 de novembro de 1937, sendo José Dantas demitido; nomeado prefeito Zé Bené de Carvalho;  mas o motor permanecia parado, não encontrando quem lhe tomasse conta, o novo prefeito o entregou à responsabilidade de José Dantas até sua inauguração.

Foi quando o prefeito Milton Bezerra das Chagas (Milton Pierre), natural de Sertânia, fixou-se em Carnaíba pelo trabalho e pelo casamento com uma filha da terra, Dona Zefinha Mendes, era proprietário-fazendeiro e transportador de cargas em caminhão próprio. Entrou na lista eleitoral em 1963, contra Badu Medeiros, obtendo  espetacular vitória. Tomou posse em janeiro do ano seguinte, terminando seu período de quatro anos em 1969.

Ele foi considerado entre os mais poderosos prefeitos. Cogitando menos em obras ‘vistosas1, com inteligência planejou uma administração de base em três setores infra estruturais;  energia, ensino e estradas, assim decorrendo mais facilmente o desenvolvimento em outros setores.

Lutou então Milton Pierre, durante três anos contra – imagine-se! – a Câmara de Vereadores de Carnaíba de então que, por mera política, o impedia de trazer a energia de Paulo Afonso, acarretando com isso vultosos prejuízos para a cidade e para o município. Mas venceu e além de conseguir energia para a sede, firmou o convênio já no fim do seu mandato para estendê-lo a Quixaba e ibitiranga.
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Houve então a vitória de Milton Pierre trazendo a luz de Paulo Afonso para Carnaíba e fazendo uma grande festa de inauguração (foto acima) em Agosto do ano de 1966, com a presença do então Governador Paulo Pessoa Guerra, da Primeira Dama do Estado, Dona Virgínia Guerra, que na foto está ao seu lado- General Costa Cavalcanti que era Ministro do Interior e candidatou-se posteriormente para Deputado Federal sendo eleito. Em Carnaíba foi apoiado justamente por Milton Pierre. Depois foi o Presidente da Itaipu Binacional e posteriormente Presidente da Eletrobrás. Era um homem extremamente educado e atencioso- ao seu lado, o Bispo de Afogados da Ingazeira, Dom Francisco Austragésilo de Mesquita Filho, seguindo na foto; o então prefeito Milton Bezerra das Chagas( Milton Pierre),  e sua esposa Josefa Mendes das Chagas, José Magro, Presidente da Câmara de Vereadores do Município, o Deputado Estadual Olímpio Mendonça, o Juiz de Direito  Aristóteles de Siqueira Campos e Helenice Mendes, filha de Milton Pierre, entre outras autoridades da época.

O que fazia Milton não conseguir com mais facilidade a vinda da energia para Carnaíba, era o grupo de vereadores da oposição da época, pois para o projeto ser executado, tinha que ter o aval da Câmara de Vereadores, Milton não tinha maioria na Câmara, mandou o projeto mas não tinha votos da maioria, usou ele então de uma estratégia politica, pegou uma comadre de um vereador oposicionista, que era funcionária do município e que prestava serviços na região do Caroá e a transferiu para a região de Novo Pernambuco, foi quando o vereador fez o pedido para que Milton Pierre retornasse a funcionária. Milton portanto aceitou mudar a funcionária de volta, desde que o então vereador votasse a favor do projeto da iluminação publica. Assim o vereador se comprometeu, o projeto da energia foi aprovado e a professora voltou para o local anterior onde trabalhava. Graças a essa atitude, Carnaíba recebeu a energia vinda de Paulo Afonso, enriquecendo o município e a região.