A dor da perda se mistura com a revolta e a espera angustiante. Passados dias desde a confirmação da morte do tatuador Eduardo Neto de Morais, conhecido popularmente como “Neto Tatu”, de 35 anos, a família ainda não conseguiu realizar o sepultamento. Os restos mortais seguem sem liberação pelo Instituto de Medicina Legal (IML) do Recife, prolongando o sofrimento de parentes e amigos em Carnaíba.
Eduardo Neto desapareceu no dia 9 de março, gerando grande mobilização nas redes sociais e entre moradores da cidade. Dez dias depois, no dia 19, o desfecho trágico: um corpo foi localizado em estado avançado de decomposição às margens do Rio Pajeú, na comunidade rural do Oitizeiro, zona rural carnaibana. As primeiras informações já indicavam que poderia se tratar do jovem desaparecido, o que foi posteriormente confirmado.
Desde então, a família enfrenta uma verdadeira “via-crúcis” para conseguir dar o último adeus.
Sem velório, sem despedida, sem paz
A situação é ainda mais dolorosa porque Eduardo Neto não teve direito a uma missa de corpo presente. Também não houve missa de 7º dia — um momento tão importante para familiares e amigos na tradição religiosa da região.
Morador da Rua Santa Luzia, Neto era muito conhecido em Carnaíba. Além de tatuador, ele era mestre de capoeira, atuando no PETI da cidade e também em comunidades da zona rural, onde ensinava a arte e ajudava a transformar vidas. Sua popularidade na cidade era grande.
Clamor por respeito e dignidade
Sem a liberação dos restos mortais, o sepultamento não pode ser realizado. A família cobra das autoridades competentes agilidade no processo, pedindo apenas o básico: o direito de enterrar seu ente querido com dignidade.
“É uma dor que não acaba. A gente não consegue nem se despedir”, relatam familiares, inconformados com a demora.
Enquanto isso, o silêncio e a burocracia aumentam a angústia de quem já enfrenta a perda brutal.
Carnaíba segue assustada. A morte de Neto não apenas interrompeu uma vida, mas deixou um vazio em projetos sociais, na capoeira e no convívio diário de quem o conhecia.
Entre a dor e a espera, fica o apelo: que a justiça e as autoridades deem uma resposta rápida, para que Eduardo Neto possa finalmente descansar — e sua família, encontrar um mínimo de paz diante de tanta dor.

