Carnaíba é a única cidade do Vale do Pajeú sem desfile de 7 de Setembro e tradição segue esquecida

Terra da Música, Carnaíba já foi palco de grandes desfiles cívicos que reuniam escolas, bandas marciais, autoridades, militares e uma multidão pelas ruas. Mas essa tradição ficou para trás. O último desfile de 7 de Setembro realizado no município aconteceu em 2014.

Enquanto outras cidades do Vale do Pajeú mantêm viva a tradição de celebrar a Independência do Brasil com estudantes nas ruas, apresentações de bandas e participação popular, Carnaíba voltou a passar pelo 7 de Setembro sem realizar seu tradicional desfile cívico, tornando-se, segundo o levantamento para esta matéria, a única cidade da região a não promover a programação.

A ausência chama ainda mais atenção por se tratar de um município conhecido nacionalmente por sua forte ligação com a música e por possuir uma história marcada pelas bandas, músicos e manifestações culturais.

Quando as ruas ficavam lotadas

Quem viveu os grandes desfiles realizados durante a gestão do ex-prefeito José Francisco Filho, o Didi, certamente guarda na memória um cenário bem diferente do atual.

Todos os anos, no dia 7 de Setembro, as ruas de Carnaíba ficavam tomadas pela população para acompanhar o desfile das escolas e das instituições que participavam da programação.

Escolas tradicionais como João Gomes dos Reis, Joaquim Mendes e Cônego Luiz levavam seus estudantes para as ruas em apresentações que mobilizavam professores, famílias e toda a comunidade.

Autoridades e militares também participavam do percurso, que ganhava ainda mais brilho com a presença das bandas marciais.

E sim: Carnaíba tinha banda marcial.

Além das formações musicais do próprio município, o desfile também recebia bandas vindas de Flores e Afogados da Ingazeira, transformando o 7 de Setembro em um dos grandes acontecimentos do calendário escolar e cultural carnaibano.

Era um momento de encontro entre gerações, em que crianças, adolescentes e jovens ocupavam as ruas enquanto pais, avós e moradores acompanhavam as apresentações.

O que aconteceu com a tradição?

O último desfile foi realizado em 2014. Desde então, a tradicional programação deixou de fazer parte do calendário cívico do município.

E fica a pergunta para a sociedade carnaibana:

Por que uma tradição que durante tantos anos levou milhares de pessoas às ruas deixou de existir?

Não se trata apenas de uma questão política ou administrativa. O desfile de 7 de Setembro pode representar também uma oportunidade de trabalhar com os estudantes temas como história, cidadania, patriotismo, cultura, disciplina e participação comunitária.

Em uma cidade que tem a música como uma de suas principais marcas, a ausência de bandas marciais e de um grande desfile cívico também provoca uma reflexão sobre a própria preservação das tradições locais.

Celebrar o 7 de Setembro é também preservar a memória

A Independência do Brasil, celebrada em 7 de Setembro, é uma das principais datas cívicas do calendário nacional. Para além das discussões políticas, a data pode ser utilizada pelas escolas como instrumento pedagógico para aproximar os estudantes da história do país e estimular a participação da comunidade.

Em Carnaíba, recuperar o desfile poderia significar também resgatar uma memória afetiva de várias gerações.

A cidade que já viu suas ruas serem tomadas por estudantes uniformizados, autoridades, militares e bandas marciais poderia voltar a ouvir os sons dos dobrados e das fanfarras em um grande desfile.

Não necessariamente nos mesmos moldes do passado, mas com uma proposta renovada, envolvendo as escolas municipais e estaduais, grupos culturais, bandas, músicos, associações, forças de segurança e a comunidade.

Um chamado à reflexão

A pergunta não é apenas por que Carnaíba deixou de desfilar.

É também se a cidade pretende recuperar essa tradição algum dia.

Em um município conhecido como Terra da Música, onde a cultura musical faz parte da identidade de seu povo, resgatar uma banda marcial e promover novamente um grande desfile de 7 de Setembro poderia representar muito mais do que uma simples cerimônia.

Seria uma forma de reconectar o presente com uma parte importante da memória de Carnaíba.

A cidade que um dia lotava suas ruas para assistir aos estudantes marcharem e às bandas tocarem não deveria deixar que essa lembrança sobreviva apenas nas fotografias e na memória daqueles que viveram aqueles tempos.

Fica, portanto, a reflexão para gestores, educadores, pais, estudantes e para toda a sociedade carnaibana: será que não está na hora de Carnaíba voltar a celebrar o 7 de Setembro nas ruas?

Afinal, se Carnaíba é a Terra da Música, talvez seja justamente através da música, da educação e da memória que essa tradição possa voltar a fazer parte da história do município.

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