Bolsonaro perde oportunidade de pedir desculpas aos nordestinos

Na entrevista exclusiva que concedeu ao jornalista Magno Martins, terça-feira passada, em Salgueiro, antes de inaugurar mais um trecho da Transposição do São Francisco, o presidente Bolsonaro perdeu uma ótima oportunidade de pedir desculpas aos nordestinos quando o jornalista o provocou ao explicar o termo pau de arara, extremamente pejorativo, que usou na live semana da última quinta-feira quando se referiu aos que nasceram e habitam essas plagas de cá.

Se fosse mais humilde e sábio, Bolsonaro teria dito que não fora sua intenção difamar os nordestinos, que teria feito apenas uma brincadeira. Ao contrário, recorreu a termos mais grosseiros ainda. Disse que é uma “raça cabeçuda” e usou até o termo “arataca”. Quando garoto em Afogados da Ingazeira conheci arataca como armadilha para pegar preá.

Segundo um general consultado pelo blog, no linguajar dos quartéis do Exército arataca é apelido de quem saiu do Nordeste. O Brasil é um povo só. Seja paulista, sulista, nortista ou nordestino, ninguém gosta de ser objeto de chacota. É uma agressão, fere, mexe com o mais nobre dos sentimentos, que é o orgulho. Historicamente, o nordestino já é fortemente discriminado por sulistas que se acham acima do bem e do mal.

Se já não anda em sintonia com os nordestinos, com índices baixíssimos de intenção de voto nos nove Estados que integram a região, Bolsonaro só tem a perder com essa brincadeira de mau gosto. Não soa bem aos ouvidos de nenhum brasileiro ouvir da boca de um chefe da Nação adjetivos discriminatórios. Com isso, Bolsonaro agride sem piedade quem deu a ele, na eleição passada, no Nordeste, um voto de confiança para ser o presidente de todos os brasileiros, sem ranço e sem ódio.