Ricardo Pereira, o homem que veio para matar a elite conservadora e preconceituosa de Princesa do bofe

A cidade de Princesa Isabel, interior da Paraíba, assim como diversas cidades do sertão, como Carnaíba, em Pernambuco, sempre foi muito preconceituosa. Preconceituosa e elitista. Basta dizer que o jornalista Tião Lucena, nascido num bairro periférico, só teve acesso aos clubes da sociedade porque se valia da amizade de uns parentes tidos e havidos como ricos, como ele fala. Por sinal ainda parente do meu avô Roseno Lucena Gomes, de Coremas e que viveu em Carnaíba por mais de 50 anos.

Na política, então, não havia espaço para ninguém sem sobrenome ilustre. Quem não fosse Nominando ou Pereira, ou Diniz ou Muniz ou derivado, sobrava na curva.

Cidade pobre, mas histórica, Princesa conservou essa seletividade até quando os tradicionais da terra faliram, quebraram e foram obrigados a se socorrer dos garatêios da vida. Foi então que começou uma mudança que muito desagradou a turma de sobrenome ilustre. Um sobrenome ilustre só no sobrenome, devo dizer, porque no resto…

Apareceu um matuto do Rancho dos Homens, perto da Lagoa da Cruz, falando errado,  mas com atrevimento o suficiente para peitar os ilustres da terra. Ricardo Pereira do Nascimento, nascido nos matos, apareceu para fazer a diferença. Enfrentar os moinhos de vento e terminar como prefeito já pelo segundo mandato consecutivo.

E, como prefeito, fez o que os antecessores não fizeram.

Trabalhou, pagou as contas da Prefeitura, atualizou o salário do servidor sofrido e, pasmem, se reelegeu. Isso é atrevimento demais! Botou na rabichola do jegue os tidos e havidos como donos do lugar. Acabou a farra das assessorias legislativas. Tirou a boquinha dos assessores aspones. Não permitiu mais os expedientes à distância, direto da Borborema. E, achando pouco, está deixando a cidade um brinco.

Praças e mais praças são inauguradas. A praça do Véi Mano ganhou roupa nova. Chata virou praça no centro histórico. Até a rapariga Pichuita agora é praça em Princesa. Ricardo Pereira mexeu com os brios dos mofados sobrenomes do lugar.

Mexeu e remexeu. E se continuar desse jeito, vai matar todos eles do bofe.

Col. Tião Lucena