Dois policiais militares acusados de matar o adolescente Victor Kawan, durante uma abordagem no Recife, foram presos e levados ao presídio militar. As capturas dos cabos Cleyza patrícia de Souza Silva e José Monteiro Maciel de Lima aconteceram quase um ano após o crime, no Sítio dos Pintos, na Zona Norte. Os PMs respondem por homicídio qualificado e tentativa de homicídio.
O crime aconteceu no dia 11 de dezembro de 2021. Victor Kawan, então com 17 anos, e um amigo estavam voltando para casa em uma moto. Na época do assassinato, a PM informou que tinha acontecido uma troca de tiros.
Os moradores da área e os parentes dos jovens denunciaram, no entanto, que o policiais “chegaram atirando”. A PM alegou ter achado uma arma com os rapazes.
O colega da vítima, Wendell Alves, de 18 anos, prestou queixa na delegacia e foi liberado. Câmeras de segurança registraram a movimentação no local.
Por meio de nota divulgada nesta quinta (3), o Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE) informou que os mandados de prisão contra os PMs foram cumpridos na quarta (2).
Os cabos do 11º batalhão foram levados para o Centro de Reeducação da Polícia Militar (Creed), na Região Metropolitana.
A Polícia Civil disse que os policiais militares se apresentaram aos superiores, sendo levados por eles para a delegacia que investigou o caso. De lá, uma equipe da corporação encaminhou os acusados para o Creed.
Por meio de nota, a PM disse que os policiais “se apresentaram voluntariamente ao subcomandante da unidade” e estão à disposição da Justiça.
Também no comunicado, o TJPE disse que os PMs serão citados na próxima etapa do processo. Em seguida, terá início a fase instrução, com a tomada dos depoimentos de testemunhas e dos acusados, além de apresentação de provas.
A denúncia contra os PMs foi feita pelo Ministério Público de Pernambuco (MPPE) no início de outubro deste ano.
O TJPE informou que, no dia 28 do mesmo mês, essa denúncia foi aceita pela 2ª Vara do Tribunal do Júri da Capital.
Nesse mesmo dia, foi decretada a prisão preventiva dos denunciados e expedidos os mandados de prisão.
De acordo com a denúncia, Os PMs “simularam” ter encontrado uma arma com o jovem e removeram indevidamente o corpo do garoto do local, “a pretexto de socorrê-lo”.
Além disso, o crime foi praticado por motivo fútil e usaram de meio que impossibilitou defesa da vítima.
A Corregedoria-Geral da Secretaria de Defesa Social (SDS) instaurou Procedimento Administrativo Disciplinar, que segue em curso.
Fonte: G1
