Ao longo do evento, também foram exibidos vídeos com a trajetória de Lula em seus dois governos. Também foi mencionado o período em que o ex-presidente ficou preso pelas investigações da Lava-Jato e a anulação de suas condenações.
Rosângela da Silva (Janja), com quem Lula anunciou que vai se casar, apresentou no telão o conhecido jingle “Lula lá”, em nova versão cantada por artistas como Pabllo Vittar, Duda Beat, Chico César, Martinho da Vila, Lenine, Maria Rita, Paulo Miklos e Zelia Duncan.
Na sequência, Lula iniciou seu discurso e também seguiu a brincadeira culinária feita por Alckmin. “Hoje é um dia especial. Saio daqui, Haddad, na expectativa de que nós vamos comer chuchu com lula. E acho que a nossa companheira Bella Gil pode abrir um espacinho no restaurante dela de lula e chuchu, que eu acho que vai ser o prato predileto de todo ano de 2022. Esse prato se tornará o prato da moda para o Palácio do Planalto“, disse.
O ex-presidente fez críticas ao atual governo de Jair Bolsonaro (PL).
“Tudo o que fizemos e o povo brasileiro conquistou está sendo destruído pelo atual governo. O Brasil voltou ao Mapa da Fome da ONU, de onde havíamos saído em 2014, pela primeira vez na história. É terrível, mas não vamos desistir, nem eu nem o nosso povo. Quem tem uma causa jamais pode desistir da luta”, afirmou.
Soberania nacional
Segundo Lula, é preciso retomar a “soberania nacional” em ações que garantam a democracia e direitos da população com saúde, educação e emprego.
“É mais do que urgente restaurar a soberania do Brasil. Mas defender a soberania não se resume à importantíssima missão de resguardar nossas fronteiras terrestres e marítimas e nosso espaço aéreo”, disse.
“É também defender nossas riquezas minerais, nossas florestas, nossos rios, nossos mares, nossa biodiversidade. E é, antes de tudo, garantir a soberania do povo brasileiro e os direitos de uma democracia plena. É defender o direito à alimentação de qualidade, o bom emprego, o salário justo, os direitos trabalhistas, o acesso à saúde e à educação.”
Povos indígenas
O ex-presidente também mencionou a defesa dos povos indígenas e de outros grupos indenitários, e citou o caso dos ianomâmis.
“Defender a nossa soberania é garantir a posse de suas terras aos povos indígenas, que estavam aqui milhares de anos antes da chegada dos portugueses, e que foram capazes de cuidar delas melhor do que ninguém. E que agora estão vendo seus territórios invadidos ilegalmente por garimpeiros, grileiros e madeireiros”, afirmou.
“O resultado desse crime continuado, que acontece com a conivência do atual governo, vai além da destruição de florestas e rios. Compromete também a sobrevivência física dos povos indígenas, e não poupa sequer as crianças, como nós vimos recentemente numa aldeia Yanomami.”
União contra totalitarismo
Lula também defendeu a união de forças políticas e movimentos sociais contra o que considera uma “ameaça totalitarista”.
“Queremos unir os democratas de todas as origens e matizes, das mais variadas trajetórias políticas, de todas as classes sociais e de todos os credos religiosos. Para enfrentar e vencer a ameaça totalitária, o ódio, a violência, a discriminação, a exclusão que pesam sobre o nosso país. Queremos construir um movimento cada vez mais amplo de todos os partidos, organizações e pessoas de boa vontade que desejam a volta da paz e da concórdia ao nosso país”, disse.
Apoio de lideranças políticas

Entre os políticos presentes no ato estiveram a ex-presidente Dilma Rousseff (PT), o pré-candidato ao governo de SP Fernando Haddad (PT), o líder do MTST Guilherme Boulos (PSOL), o governador do Maranhão Flávio Dino (PSB), o pré-candidato ao governo de São Paulo pelo PSB Márcio França, o deputado federal Marcelo Freixo (PSB) e a deputada federal Luiza Erundina (PSOL).
Intelectuais, acadêmicos, centrais sindicais, artistas e lideranças religiosas também compareceram. A cantora Teresa Cristina cantou o hino nacional na abertura do evento.
Além das lideranças do PT e do PSB, a cerimônia também contou com os partidos que já declararam apoio formal à chapa: PCdoB, Solidariedade, PSOL, PV e Rede.
A estimativa dos organizadores é de que o evento tenha reunido 4 mil pessoas. O material de campanha da chapa “Vamos Juntos pelo Brasil” incorporou as cores da bandeira, além do tradicional vermelho do PT.
A formalização da aliança para efeitos estatutário e de registro no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) deve ocorrer apenas após 4 e 5 de junho, quando está marcado o Encontro Nacional do PT.
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Lula comparece a lançamento da chapa com Alckmin em SP. Ex-governador, com Covid, participará remotamente por vídeo — Foto: Reprodução/chapa Vamos Juntos pelo Brasil
De acordo com a última pesquisa Datafolha, Lula tem 43% das intenções de voto no primeiro turno, contra 26% de Jair Bolsonaro (PL).
A escolha de Alckmin para a chapa faz parte de uma estratégia para que Lula consiga buscar votos de eleitores mais identificados com o centro.
Segundo apurou o blog da Andréia Sadi, a expectativa da campanha após o lançamento é a de que os dois se dividam em busca de votos: cada um com uma agenda. No caso de Alckmin, um roteiro voltado para religiosos, agronegócio e também eleitores do Sudeste – especialmente São Paulo – onde o PSDB governou por mais de 15 anos, derrotando o PT.
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Lideranças políticas e apoiadores se reúnem para o lançamento da chapa Lula-Alckmin em São Paulo — Foto: Marina Pinhoni/g1
