Bolsonaro perde 10 minutos de programa eleitoral por mentir sobre Lula

Bolsonaro vai ter de ceder 10 minutos de sua propaganda eleitoral para Lula como direito de resposta às acusações de que é “corrupto” e “ladrão”. No programa que foi ao ar em 9 de outubro, na propaganda eleitoral foi exibido corte de vídeo com declaração do ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Marco Aurélio Mello na qual ele diz que “o Supremo não o inocentou [a Lula], o Supremo aceitou a nulidade dos processos crime”. Na sequência, o locutor emenda : “A maior mentira dessa eleição é dizer que Lula não é ladrão. Votar no Lula é votar em corrupto.” Em seguida, a acusação de “ladrão” reaparece  na voz de uma pessoa que teria sido entrevistada.

É a primeira vez que o TSE concede direito de resposta na televisão nestas eleições. A decisão do ministro Paulo de Tarso Sanseverino, do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) prevê  20 inserções de 30 segundos que ocuparão o horário das inserções de Bolsonaro, mas não determina o horário da divulgação dos vídeos. O vídeo com as acusações. O vídeo com as acusações já havia sido retirado do ar a pedido da campanha de Lula.

Segundo o ministro, “a ilegalidade da propaganda impugnada encontra-se na utilização das expressões ‘corrupto’ e ‘ladrão’, atribuídas abusivamente ao candidato da coligação representante, em violação à presunção de inocência. É fato notório a existência de decisões condenatórias e da prisão do candidato Luiz Inácio Lula da Silva, assim como é de conhecimento geral da população que as referidas condenações foram anuladas pelo Supremo Tribunal Federal”.

Também nesta quarta-feira, a propaganda de TV de Bolsonaro  teve trecho suspenso devido à infração de regras eleitorais. Mais uma vez, a campanha tentou emplacar a versão de que Lula não foi inocentado pelo STF e associá-lo à corrupção. No momento em que a apresentadora Carla Cecato, ao falar dos processos de criminalização sofridos por Lula ia, novamente afirmar que ele não teria sido absolvido ou inocentado, o TSE interrompeu a transmissão por 8 segundos e exibiu aviso da corte eleitoral e QR code que direciona para site do TSE.

POSTS COM FAKE NEWS DELETADOS

O TSE também definiu a remoção de 11 posts no Twitter e no Instagram com fake news que afirmam que Lula seria aliado de Daniel Ortega, presidente da Nicarágua, e por isso apoiaria a perseguição de cristãos e tortura a religiosos e opositores. Apoiadores do presidente Jair Bolsonaro, como os deputados Eduardo Bolsonaro (PL-SP), Carla Zambelli (PL-SP), o ministro de Minas e Energia, Adolfo Sachsida, e o comentarista Rodrigo Constantino terão 24 horas para deletar os posts. A decisão também foi do mesmo ministro do TSE Paulo de Tarso Sanseverino.

De acordo com Sanseverino “as publicações contêm informação manifestamente inverídica e foi divulgada no período crítico do processo eleitoral, em perfil com alto número de seguidores, de forma a gerar elevado número de visualizações, o que possibilita, em tese, a ocorrência de repercussão negativa de difícil reparação na imagem do partido político e do candidato atingidos pela desinformação”.