O governo do município de Carnaíba, no sertão de Pernambuco, inaugura nesta próxima sexta feira 31, um monumento em homenagem a Coluna Prestes, que passou por Carnaíba no ano de 1926. Diante desse ato de relevância para a população de Carnaíba e sua história, o Blog do Cauê Rodrigues, publica um conteúdo espetacular do Escritor, Pesquisador e Historiador Anchieta Siqueira, sobre a invasão da Coluna prestes àquele ano na pacata Carnaíba, ainda pertencente ao município de Flores.
O Escritor que está prestes à publicar seu livro, pela Editora Garcia, terá 100 exemplares patrocinados pela prefeitura de Carnaíba e 350 exemplares publicados pelo CEHM de Pernambuco. O livro Carnaíba, Memórias, Transformações Espaciais e Socioculturais trás ao leitor carnaibano um universo de sua história.
A Ocupação do Povoado de CARNAÍBA-PE, Por Integrantes da Coluna Prestes no Ano de 1926. Por “Siqueira, José Anchieta” especialmente para o Blog do Cauê Rodrigues.
Precisamos conhecer e saber porque os integrantes da Coluna Prestes, mais conhecidos dentre os sertanejos como “Revoltosos”, ocuparam a povoação de Carnaíba -PE, por um dia, em 13 de fevereiro de 1926. Assim sendo será feito aqui um breve resumo desta História: Durante o período da República Velha, o Brasil estava um verdadeiro caldeirão, fervilhando de revoltas armadas. Nesse período Saturnino Bezerra era prefeito em Flores, precisamente no ano de 1926, eclodiu no Nordeste a revolta armada da Coluna Prestes, que teve origem no Rio Grande do Sul, e com a adesão de alguns revolucionários em São Paulo, ganharam o mundo a fazer desgraças contra qualquer um que se contrapusesse a seus interesses.
Assim, divulgaram eles que queriam salvar o país das mãos das oligarquias dominantes. Reivindicavam ainda o voto secreto e a derrubada do governo Artur Bernardes etc..
“A máquina de guerra é uma invenção nômade, uma forma de escapar do sistema de dominação estatal, um ato político de resistência, lutas travadas em meio ao deserto da vida para não se deixar aprisionar pelos grandes grupos populacionais e suas teias políticas centralizadas, que visão somente à unidade.
Luís Carlos Prestes, o cabeça da Coluna não vinha nesse grupo. Adentraram o município de Flores pela Serra de Lagoa de Cruz, alcançaram as adjacências da localidade denominada por Sítio Quixaba, onde fizeram depredações na fazenda do Sr. Maçal Salvador. Depois, marcharam em direção às localidades dos Sítios Caiçaras e Bezerros. Nas imediações desses sítios, alguns tiros foram disparados contra Zuca Carlos e a um grupo de seus adeptos. Nesse breve confronto, dois revoltosos foram mortos, e um dos comparsas de Zuca Carlos foi assassinado.
Segundo Maria Ana dos Santos, tempos depois, Zuca Carlos comentou que só havia reagido porque pensou que eram cangaceiros. Segundo José de Siqueira Campos, o seu avô contava que, chegando a Carnaíba arrancharam-se no casarão (estilo chalé) de José Martins, colocaram um militante da Coluna com uma metralhadora na porta da frente e outro na porta de trás, enquanto as mulheres da casa faziam comida de graça para eles.
Ao saírem do lugar, levaram consigo um cavalo do Sr. Manoel José da Silva, morador do arruado. A notícia que se tem em Carnaíba é que o Sr. Manoel José nunca mais viu o cavalo que fora levado pelos revoltosos.
Em Flores, os rumores da aproximação da Coluna também deixaram o povo atônito. José Medeiros de Siqueira Campos e Antônio Medeiros de Siqueira Campos – primos de Tenente Siqueira Campos, um dos adeptos de Prestes – reuniram uma tropa com mais de duzentos homens com a intenção de oferecer resistência, caso a Coluna adentrasse a cidade. Segundo Souza Neto (2004), as depredações praticadas pela Coluna Prestes em Piancó – PB deixaram todos assustados; lá eles tinham matado um padre.
Dona Maria Estela de Siqueira Campos, escritora e cidadã de Flores, citada por Sousa Neto (2004, p. 371), desabafa em seu livro: “Quero crer que tenha sido Siqueira Campos quem, intencionalmente, tenha sugerido este roteiro, com o propósito de conhecer o lugar onde vivera seu pai e as terras de suas origens.” Porém, ele teve sua expectativa frustrada. Ao invés de ser acolhido por seus parentes, muitos lhe repudiaram pela fama de desordeiros que carregavam os integrantes da Coluna Prestes.
Sobre o parentesco de Antônio de Siqueira Campos, da Coluna Prestes, com os Siqueira Campos de CARNAÍBA; sabe-se por meio de pesquisa genealógica divulgada no site : Genealogia Pernambucana, que o pai dele chamava-se: Raymundo Pessoa de Siqueira Campos, esse último Primo legítimo de Maria José de Campos casada com Jacob José de Siqueira, este casal era os pais de Febronio de Siqueira Campos e Pedro de Siqueira Campos, de Carnaíba, (Febrônio de Siqueira Campos e Pedro de Siqueira Campos eram primos de Antônio de Siqueira Campos, da Coluna Prestes, em segundo gral).
Segundo Natália Barros de Siqueira Campos, sua avó paterna: Julia Roza, filha de Saturno Bezerra, de Carnaíba, era casada com José Medeiros de Siqueira Campos, esse último primo legitimo de Antônio de Siqueira Campos, da Coluna Prestes. Raymundo Pessoa de Siqueira Campos, pai de Antônio de Siqueira Campos era irmão de Philonila Amélia de Siqueira Campos, casada com Justino José de Medeiros, ela era mãe deste José Medeiros de Siqueira Campos, aqui citado, que esteve prefeito em Flores por duas vezes, portanto homem influente na sociedade o apoio do mesmo aos revolucionários com certeza renderia muitas adesões ao grupo.
Recorda ainda a informante que o seu avô José Medeiros de Siqueira Campos, tinha uma propriedade no Sítio Bezerros, próximo as caiçaras, por isso o chamavam também de José Medeiros dos Bezerros. A intenção dos revolucionários de Prestes em Carnaíba Também era conversar com Saturno Bezerra e conseguir apoio do mesmo que, na época, estava prefeito em Flores e era ligado politicamente e familiarmente aos Siqueira Campos. No entanto saturnino fugiu para Flores quando soube da aproximação da Coluna Prestes a Carnaíba, em Flores Saturnino ficou juto ao grupo armado liderado por seu genro, José Medeiros de Siqueira Campos e seu irmão Antônio Medeiros de Siqueira Campos.
Segundo José de Siqueira Campos, o seu avô paterno Febronio de Siqueira Campos, fugiu para se esconder num sítio que ele tinha no Caroá pois tinha medo de ser envolvido na história, já que um parente seu era integrante do grupo revolucionário. Pedro de Siqueira Campos, irmão de Febrônio, não compareceu no arruado de Carnaíba e José Medeiros de Siqueira Campos, que estava em Flores, não atendeu ao chamado do primo, Antônio de Siqueira Campos. Então a Coluna Prestes saiu de Carnaíba sem muito êxito, apenas levando uns trocados recolhidos com os proprietários do casarão onde ficaram alojados. Dizia Francisco de Siqueira Campos que Antônio de Siqueira Campos conseguiu conversar com dois dos seus primos: José Medeiros de Siqueira Campos e Antônio Medeiros de Siqueira Campos, em uma Fazenda Conceição, que fica entre sítio dos Nunes e Custódia, mas nenhum de seus parentes o apoiaram aqui na região do Pajeú.
Conforme foi dito por Marismênia de Siqueira Campos, Antônio de Siqueira Campos da Coluna Prestes também tinha parentes em Sertânia – PE, quem era primo dele em Sertânia era José Engrácio de Siqueira Campos, este último era o pai de Aristóteles de Siqueira Campos que foi quem assumiu a Comarca de Carnaíba no final da década de 1960.
Portanto conclui-se que a memória da passagem da Coluna Prestes em Carnaíba lembra também um episódio familiar do sertão do Pajeú, tal grupo só passou em Carnaíba porque um dos seus militantes, chamado Antônio de Siqueira Campos, braço direito de Prestes, possuía laços familiares na região, por isso fizemos parte de uma história maior que é o movimento tenentista do Brasil. E, mesmo não admirando a conduta de Antônio de Siqueira Campos e Luiz Carlos Prestes, na marcha da Coluna Prestes, não se pode deixar de reconhecer a devida importância histórica destes personagens em nossa história.
Neste sentido, o momento é oportuno para refletir sobre este acontecimento ímpar do nosso passado.
