Solidonio: Pereira de Carvalho era seu sobrenome, nascido em 1887. Seus pais, José Pereira de Carvalho e Ana Maria do Espírito Santo, morava na Varjota. Em 1911, casou-se com Luzia, filha de Miguel dos Santos e Ana Maria da Conceição, tendo cinco filhas. Morava e mourejava no sítio Quixaba, pertencentes aos sogros, por morte dos quais herdou.
Em 1923 montou engenho de rapadura, de almanjarra puxada a boi. Em 1924, as levas de romeiros a pé, dia e noite em demanda do Juazeiro do Padre Cícero, se arranchavam na grande latada coberta de telhas e cercada de varas de marmeleiro, construída para depósito de cana ponto. De espírito comunicativo e alegre, todas as noites gostava Solidônio de ir conversar, longo tempo, com eles. Daí surgiu entre os romeiros a denominação de Quixaba de Solidônio Pereira.
Em 1925, comprou 50 quadros de terra e uma bolandeira de descaroçar algodão com almanjarra puxada a boi. Botou bodega numa dependência de sua casa de moradia , outrora dos sogros e que reformou. E no mesmo ano continuou a festejar o Mártir São Sebastião, a 20 de janeiro, e o senhor São João, a 24 de junho.
Em menos 1926 mudou a bolandeira em vapor. Comprava o algodão em rama, descaroçava e os vendia a seu compadre Manoel José da Silva, de Carnaíba, e também a Veloso, de Rio Branco Arcoverde. Nesse mesmo ano invejosas de sua situação de homem rico tocaram fogo no depósito de algodão, por sorte sem algodão, mais tudo o mais ficou queimado e inutilizado.
A conselho do padre Cícero, a quem consultara, continua Solidônio em Quixaba e seus recursos, como predissera o santo Taumaturgo, duplicaram. Em 1928, de um quadro para o patrimônio de São Sebastião e começou a primeira pedra da igreja. Traçou inicialmente, uma rua de 50 metros de comprimento, onde começaram a surgir as primeiras casas de povoado, tomando por ponto de alimento a sua casa, no momento a primeira e única existente, casa do sítio ou fazenda que sempre serviu de hospedagem aos padres.
Depois viriam outras; a segunda casa, sua padaria, a terceira, a residência de seu cunhado, Floro Miguel, a quarta, de Manoel Pereira de Carvalho, filho de Antônio Pereira de Carvalho, mais conhecido por Antônio Pereira; a quinta de Antônio Miguel dos Santos, e a sexta; de Miguel Barbosa da Silva, essa bem arredada da rua.
Achou que era tempo de se ter uma feira, que foi criada a 8 de agosto do mesmo ano, para o desenvolvimento da povoação. 1928 é portanto a data de fundação de Quixaba.
Politicamente, era Solidônio o chefe de Quixaba e cercania, graças a seu espírito moderado e maneiroso, cativante e sincero. Sempre ocupou a posição de conselheiro, desde quando nomeado pelo prefeito Saturnino Bezerra, e, em seguida, com o título de vereador, sempre ganhando as eleições, seja militando pelo PSD ou na UDN. Ainda exercia a função de vereador, quando faleceu de tifo em 10 de abril de 1961.
Em 2018, o Blogueiro Cauê Rodrigues, filho do também Quixabense Josa Rodrigues, do Rosilho, fez uma reportagem para o canal Carnaíba Tv Web que relata sobre a vida de Solidônio Pereira de Carvalho, sepultado em Quixaba. Parte de sua família continua em Quixaba, outra parte migraram para estados como Rio de Janeiro e São Paulo. Confira o video;
Colaboração Cissa Cabral – Secretária Municipal de Cultura de Quixaba. Texto elaborado do livro “Carnaíba, Pérola do Pajeú”, de Padre Frederico Bezerra Maciel.

