A paciente Cícera Maria Ferreira, de 42 anos, moradora do bairro Gitirana, em Carnaíba, procurou o Blog do Cauê Rodrigues para relatar uma situação ocorrida no último domingo (20), no Hospital Municipal Dr. José Dantas Filho. Ela foi socorrida pelos amigos e pelo SAMU.
Segundo Cícera, ela foi encaminhada à unidade de saúde após apresentar dormência na cabeça e no corpo, fortes dores de cabeça e alterações nas mãos como atrofiamentos. De acordo com relatos dos acompanhantes, a paciente recebeu uma medicação injetável e, posteriormente, recebeu alta médica, mesmo ainda apresentando sintomas.
Em publicação anterior, o Blog do Cauê Rodrigues relatou que amigos e vizinhos que acompanhavam Cícera solicitaram que ela permanecesse em observação, diante das condições em que se encontrava. Após a alta, os acompanhantes também teriam solicitado uma ambulância para levá-la para casa, mas o pedido foi negado.
Ainda segundo os relatos encaminhados ao blog, haviam seis ambulâncias estacionadas na área do hospital no momento da solicitação. Diante da negativa, um dos vizinhos precisou utilizar um veículo particular para transportar Cícera até sua residência.
Em novo desabafo enviado ao Blog do Cauê Rodrigues, a paciente afirmou que saiu do hospital praticamente nas mesmas condições em que chegou e que só teria começado a se recuperar mais de uma hora depois de chegar em casa.
“Gostaria de agradecer primeiramente a Deus e, em segundo lugar, às minhas amigas e vizinhos e ao Blog do Cauê Rodrigues, que me ajudou e me acompanhou ao hospital, onde fui atendida depois que minhas amigas e acompanhantes se manifestaram pela falta de atendimento comigo.
Pela primeira vez saí do hospital praticamente do jeito que cheguei, como todos podem ver nas fotos e vídeos. A única medicação que tomei lá foi uma injeção, segundo minhas acompanhantes. A médica simplesmente disse que eu estava de alta e podia voltar para casa, mesmo ainda com dormência na cabeça e no corpo e minhas mãos atrofiadas.
Mais de uma hora depois que cheguei em casa foi que fui voltando ao normal.
Aqui fica a minha indignação com aqueles que dizem ser profissionais da saúde, pois havia várias ambulâncias e não liberaram uma para me trazer para casa. Também deixo minha indignação com a parte da portaria do hospital, que não teve sequer a iniciativa de empurrar a cadeira de rodas, além de outros absurdos que deixam o hospital a desejar.
Para finalizar, afirmo que as pessoas que estavam no hospital naquele dia estavam totalmente despreparadas para trabalhar com o público. Digo mais: os que estavam lá pareciam estar preocupados apenas com o salário no final ou início do mês, porque não demonstraram preocupação se eu iria melhorar ou não. Ficaram dando gargalhadas quando saímos.”
O caso também chama atenção porque o Hospital Municipal Dr. José Dantas Filho possui serviço de ambulância registrado entre seus serviços de apoio, conforme dados públicos do Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES).
A situação levantada pela paciente envolve, portanto, dois pontos distintos: o atendimento clínico recebido antes da alta e a posterior solicitação de transporte para retorno ao domicílio. A disponibilização de ambulância pode depender de critérios assistenciais e administrativos específicos, que precisam ser esclarecidos pela unidade de saúde.
O Blog do Cauê Rodrigues procurou registrar o relato da paciente e de seus acompanhantes. Até o momento, não foi localizada manifestação pública da direção do Hospital Dr. José Dantas Filho ou da Secretaria Municipal de Saúde de Carnaíba especificamente sobre esse episódio. O espaço permanece aberto para que a Prefeitura, a Secretaria de Saúde e a direção do hospital apresentem sua versão e esclareçam quais foram os procedimentos adotados no atendimento de Cícera.
A reportagem não afirma irregularidade médica ou administrativa, mas registra a denúncia apresentada pela paciente e os questionamentos levantados pelos familiares, amigos e vizinhos que acompanharam o caso.

