“Carnaíba e Serra deveriam aprender son Sandrinho”, diz Jornalista Juliana Lima sobre ambulâncias recebidas do Governo Raquel Lyra

A política partidária não pode estar acima dos interesses da população. Esse é o principal ensinamento que, segundo a jornalista Juliana Lima, Carnaíba e Serra Talhada poderiam tirar da postura adotada pelo prefeito de Afogados da Ingazeira, Sandrinho Palmeira.

Mesmo estando no campo de oposição à governadora Raquel Lyra, Sandrinho tem adotado, segundo a análise apresentada, uma postura institucional quando o assunto é garantir ações e investimentos para a população de Afogados da Ingazeira.

O exemplo mais recente envolve a saúde. Nesta semana, o secretário municipal de Saúde, Arthur Amorim, esteve no Recife para receber duas ambulâncias cedidas pelo Governo do Estado, sendo uma delas uma UTI móvel, destinadas ao atendimento da população de Afogados da Ingazeira.

A postura chama atenção justamente porque Sandrinho Palmeira é do PSB e apoia João Campos, estando, portanto, em um campo político diferente do da governadora Raquel Lyra. Ainda assim, a gestão municipal não teria colocado a divergência partidária acima de uma ação que beneficia diretamente os moradores do município.

Outro episódio citado como exemplo foi a passagem da Carreta da Mulher por Afogados da Ingazeira.

Segundo as informações apresentadas pela jornalista Juliana Lima, a Secretaria Municipal de Saúde, comandada por Arthur Amorim, atuou em parceria com a X Geres para viabilizar os atendimentos oferecidos pelo programa.

A iniciativa disponibiliza serviços importantes para a saúde das mulheres, incluindo mamografias e exames preventivos relacionados aos cânceres de mama e do colo do útero.

Em vez de transformar a ação em uma disputa política, a Prefeitura de Afogados teria escolhido o caminho da parceria institucional, garantindo que os serviços chegassem à população.

E Carnaíba e Serra Talhada?

É justamente nesse ponto que surge a comparação com Carnaíba e Serra Talhada.

De acordo com as informações utilizadas pela jornalista, a Prefeitura de Carnaíba, comandada pelo prefeito Berg Gomes, aliado de João Campos, teria criado dificuldades para a chegada da Carreta da Mulher ao município. A situação, se confirmada, levanta um questionamento importante: até onde uma divergência política pode interferir na chegada de serviços públicos à população?

A mesma discussão envolve Serra Talhada.

Segundo as informações apresentadas, a prefeita Márcia Conrado teria recusado uma ambulância UTI cedida pelo Governo do Estado. A alegação apresentada é de que a decisão teria sido motivada por questões políticas.

Também é apontado que veículos e informações referentes a equipamentos cedidos pelo Governo de Pernambuco não teriam recebido, inicialmente, a mesma divulgação pública dada por Afogados da Ingazeira.

Se confirmados os fatos, o contraste seria evidente: enquanto uma gestão reconhece e apresenta publicamente um equipamento recebido do Governo do Estado, independentemente da posição política do governador, outras administrações estariam adotando uma postura diferente.

A questão central não deveria ser quem entregou a ambulância, a carreta ou qualquer outro equipamento público. A pergunta deveria ser: quem será beneficiado por essa ação?

Se uma ambulância pode salvar vidas, pouco deveria importar se o recurso veio de um governo aliado ou adversário.

Se uma carreta oferece mamografias e exames preventivos para mulheres, o que deveria prevalecer é a necessidade de garantir que o serviço chegue ao maior número possível de pessoas.

É exatamente essa postura que o exemplo de Afogados da Ingazeira coloca em discussão.

Sandrinho Palmeira pode continuar sendo adversário político de Raquel Lyra. Pode apoiar João Campos. Pode divergir do Governo do Estado em inúmeras questões. Mas, quando um equipamento ou serviço estadual chega para beneficiar os moradores de Afogados, a prioridade deve ser o cidadão.

O exemplo de Afogados

A atitude atribuída à gestão de Sandrinho Palmeira traz uma reflexão importante para a política do Sertão.

Adversários políticos podem disputar eleições, defender projetos diferentes e trocar críticas. Mas a população não pode ser colocada no meio dessa disputa.

O eleitor escolhe seus representantes nas urnas. Depois da eleição, porém, prefeitos e governadores precisam trabalhar institucionalmente para garantir saúde, educação, infraestrutura e serviços públicos para TODOS.

Receber uma ambulância não significa necessariamente apoiar politicamente quem a entregou. Divulgar uma conquista administrativa não significa abandonar uma posição partidária.

Significa reconhecer que o benefício pertence à população.

Por isso, Carnaíba e Serra Talhada têm, nesse episódio trista e desumano, uma oportunidade de reflexão. A experiência de Afogados da Ingazeira mostra que é possível manter posições políticas distintas e, ao mesmo tempo, construir parcerias quando o resultado é positivo para a população.

No fim das contas, a disputa política passa. Os mandatos terminam. As eleições acontecem e ficam para trás.

Mas a necessidade de um paciente que precisa de uma UTI móvel não espera a próxima eleição. A mulher que precisa de uma mamografia também não.

É por isso que o interesse da população deve estar sempre acima da disputa partidária.

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