Policial civil é preso preventivamente durante investigação sobre cobranças ilegais em Princesa Isabel

A Polícia Civil da Paraíba, por meio da Delegacia de Homicídios e Entorpecentes (DHE) de Patos, coordenada pelo delegado Claudinor Lúcio, cumpriu na manhã desta quarta-feira, 11 de março, um mandado de prisão preventiva expedido pelo Poder Judiciário contra um policial civil investigado por envolvimento em práticas criminosas no município de Princesa Isabel, na região da Serra do Teixeira.

A investigação teve início após o registro de denúncias informando que indivíduos trajando fardamento da Polícia Civil estariam realizando abordagens em estabelecimentos comerciais da cidade, principalmente em locais onde havia máquinas caça-níquel instaladas.

Diante das informações recebidas, o superintendente da 3ª Superintendência Regional de Polícia Civil determinou, em caráter de designação especial, que uma equipe da DHE de Patos realizasse a investigação para apurar os fatos e esclarecer todas as circunstâncias.

De acordo com os elementos informativos reunidos ao longo das investigações, os suspeitos se apresentavam como policiais civis em supostas ações de fiscalização e exigiam valores em dinheiro de comerciantes. Conforme os relatos, os valores seriam cobrados sob a alegação de que poderiam realizar prisões ou apreensões caso os comerciantes não pagassem a quantia exigida.

Durante as diligências, a equipe policial colheu depoimentos de vítimas e testemunhas, além de analisar imagens de câmeras de segurança e vídeos obtidos em estabelecimentos comerciais onde teriam ocorrido as abordagens.

A partir da análise conjunta das provas reunidas, os investigadores conseguiram identificar um dos envolvidos nas condutas investigadas. Diante disso, a autoridade policial responsável pelo caso representou pela decretação da prisão preventiva do suspeito, medida que foi autorizada pela Justiça.

Além da ordem de prisão, também foram cumpridos mandados de busca e apreensão com o objetivo de coletar novos elementos probatórios. Entre os itens que podem ser apreendidos estão aparelhos celulares, equipamentos eletrônicos e outros objetos possivelmente relacionados às práticas investigadas.

As investigações apontam, em tese, para a prática dos crimes de concussão, peculato e associação criminosa, todos previstos no Código Penal Brasileiro.

A Polícia Civil informou que o trabalho investigativo continua com o objetivo de identificar outros possíveis envolvidos e verificar se fatos semelhantes ocorreram em outras localidades.

Segundo o superintendente da 3ª Superintendência Regional de Polícia Civil, delegado Cristiano Jacques, a instituição mantém o compromisso com a legalidade e a transparência. Ele destacou que a Polícia Civil atua com rigor na apuração de condutas que possam comprometer a credibilidade das instituições públicas, inclusive quando eventualmente praticadas por agentes do próprio Estado, adotando todas as medidas necessárias para garantir a responsabilização dos envolvidos.

DELEGADO DÁ DETALHES

Durante entrevista concedida ao programa Cidade em Debate, da Rádio Itatiunga FM, o superintendente da 3ª Superintendência Regional de Polícia Civil, delegado Cristiano Jacques, detalhou a investigação que resultou na prisão preventiva de um policial civil suspeito de envolvimento em um esquema de extorsão no município de Princesa Isabel, no Sertão da Paraíba.

De acordo com o delegado, a prisão foi realizada nesta quarta-feira (11) pela Polícia Civil da Paraíba, por meio da Delegacia de Homicídios e Entorpecentes (DHE) de Patos. O policial foi localizado na cidade de João Pessoa, onde é lotado.

Segundo Cristiano Jacques, as investigações apontam que dois policiais civis teriam saído da capital paraibana e se deslocado até Princesa Isabel, onde passaram a realizar abordagens em estabelecimentos comerciais que possuíam máquinas caça-níquel.

“A Polícia Civil do Sertão, através da Delegacia de Homicídios e Entorpecentes, cumpriu o mandado de prisão de um policial civil acusado de envolvimento no crime de concussão, que seria uma extorsão praticada por servidor público no município de Princesa Isabel”, afirmou o delegado durante a entrevista.

Ainda conforme o superintendente, durante as abordagens os policiais exigiam valores em dinheiro dos comerciantes para que não realizassem prisões em flagrante ou apreensões dos equipamentos.

“Dois policiais civis se dirigiram da cidade de João Pessoa para recolher máquinas caça-níquel em Princesa Isabel e, durante a apreensão, exigiam dos comerciantes valores em dinheiro para que não dessem voz de prisão em flagrante”, explicou.

O delegado revelou ainda que uma das vítimas chegou a sacar o dinheiro em uma agência bancária da cidade para pagar o valor exigido pelos suspeitos.

“Inclusive, em um dos casos, a vítima foi até um banco no município, sacou o dinheiro e entregou o valor da extorsão dentro do próprio banco. Essa situação foi registrada pelas câmeras de segurança e as imagens foram anexadas ao inquérito policial”, destacou.

Durante a entrevista, Cristiano Jacques também informou que um segundo policial civil já foi identificado nas investigações e que a Polícia Civil deverá representar pela prisão dele.

O superintendente ressaltou que a instituição não tolera práticas ilegais por parte de seus integrantes e que qualquer conduta irregular será rigorosamente apurada.

“É algo que a gente abomina, a prática da corrupção por parte de servidores públicos. A Polícia Civil da Paraíba vem mostrando isso. Aqui no Sertão já combatemos esse tipo de conduta com rigor, inclusive com a prisão de delegados e outros agentes”, afirmou.

As investigações seguem em andamento para aprofundar o caso e identificar possíveis novas vítimas. O policial preso permanece à disposição da Justiça.

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